Telemedicina em Campo Grande: Câmara aprova projeto polêmico
- Tatiana Santos

- 19 de mai.
- 2 min de leitura

A Câmara Municipal de Campo Grande aprovou, em primeira discussão, o Projeto de Lei 11.603/25, que regulamenta a prática da telemedicina na rede municipal de saúde. A votação desta quinta-feira (14) revelou divisões entre os vereadores sobre os impactos da telemedicina na qualidade do atendimento público.
O projeto, de autoria dos vereadores Rafael Tavares e André Salineiro, prevê a realização de atendimentos remotos na rede municipal. Porém, a proposta gerou preocupações entre parlamentares que temem a precarização do atendimento e a redução da presença de profissionais nas unidades de saúde de Campo Grande.
Debate sobre telemedicina e gestão pública.
Durante a sessão, vereadores questionaram se a telemedicina é realmente a solução para os problemas da saúde pública em Campo Grande. O debate sobre telemedicina evidenciou uma questão central: o principal desafio da saúde municipal não seria a falta de tecnologia, mas sim a gestão eficiente dos recursos públicos.
Parlamentares argumentaram que a telemedicina não pode substituir o atendimento presencial em especialidades que exigem exame físico. Além disso, levantaram preocupações sobre a possibilidade de fechamento de unidades de saúde e demissão de servidores municipais.
Preocupações com terceirização da saúde!
A discussão sobre telemedicina ganhou contornos mais complexos quando vereadores apontaram o artigo 14 do projeto original, que autorizava o Executivo a celebrar parcerias com organizações sociais e instituições privadas para implantação e gestão dos serviços.
Essa possibilidade de terceirização gerou reação de movimentos ligados à defesa do SUS e de parlamentares preocupados com a privatização da saúde pública. Uma emenda apresentada durante a votação modificou o artigo, vedando expressamente a transferência da gestão, regulação e responsabilidade sanitária para terceiros.
Mesmo com a alteração, alguns vereadores mantiveram posição crítica ao projeto. A preocupação central é que a telemedicina em Campo Grande não deve servir como porta de entrada para redução de investimentos na estrutura presencial do SUS municipal.
Próximos passos da telemedicina em Campo Grande
O projeto segue para nova votação na Câmara Municipal em segunda discussão. Nessa fase, poderão ser apresentadas novas emendas antes da votação final. A aprovação do projeto de telemedicina dependerá de como os vereadores avaliam o equilíbrio entre inovação tecnológica e preservação da estrutura pública de saúde.
Especialistas em saúde pública apontam que a telemedicina pode ser uma ferramenta complementar, mas não substitutiva. Em Campo Grande, o desafio será implementar a telemedicina sem comprometer o atendimento presencial que é essencial para a população.
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