Alcides Bernal mata homem em Campo Grande.
- Tatiana Santos

- 23 de mar.
- 3 min de leitura
Atualizado: 2 de abr.

Alcides Bernal preso após matar homem em disputa por imóvel em Campo Grande
Alcides Bernal preso chocou Campo Grande nesta terça-feira (24). O ex-prefeito da capital sul-mato-grossense foi detido após atirar e matar o auditor fiscal estadual Roberto Carlos Mazini, de 61 anos, dentro da residência onde ainda morava, na Rua Antônio Maria Coelho, no bairro Jardim dos Estados. O imóvel, avaliado em R$ 3,7 milhões, havia sido arrematado pelo auditor em leilão judicial para quitar dívidas do político. Mazini chegou ao local acompanhado de um chaveiro para tomar posse legal do bem, mas encontrou resistência fatal.
O caso mobilizou a Polícia Militar e o Samu, que tentaram reanimar a vítima por cerca de 25 minutos sem sucesso. Testemunhas afirmam que Bernal disparou duas vezes e deixou o
local às pressas, mas se apresentou voluntariamente na 1ª Delegacia de Polícia, na Rua Padre João Crippa. O incidente expõe mais uma vez as tensões que envolvem o ex-gestor e sua conturbada relação com a Justiça e a cidade que governou.
Repercussão imediata em Campo Grande
Moradores do Jardim dos Estados relataram surpresa e preocupação com a violência em uma área tradicional da capital. O terreno de 1.440 m² e a casa de 678 m² construídos representavam, para Mazini, a realização de um direito conquistado na Justiça. Para Bernal, o imóvel ainda era sua residência, o que gerou o confronto trágico. A Polícia Civil agora investiga as circunstâncias exatas, incluindo a presença do chaveiro e possíveis testemunhas oculares.
Alcides Bernal preso: o que se sabe sobre o crime

De acordo com as primeiras informações, o auditor fiscal pretendia apenas exercer o direito de posse após vitória em leilão realizado em 2025. O lance mínimo havia sido de R$ 2,4 milhões, valor necessário para abater dívidas acumuladas pelo ex-prefeito. Bernal, que discordava da venda judicial, reagiu com tiros. O corpo de Mazini foi removido após os procedimentos de praxe, e o caso foi registrado como homicídio.
Trajetória política conturbada do ex-prefeito
Alcides Bernal construiu uma carreira marcada por altos e baixos na política de Mato Grosso do Sul. Ele atuou como vereador por dois mandatos em Campo Grande, foi eleito deputado estadual em 2010 e, em 2012, conquistou a Prefeitura no segundo turno com 62,55% dos votos válidos. Sua gestão, porém, foi turbulenta: em 2014, a Câmara Municipal cassou seu mandato por nove acusações de crimes político-administrativos, tornando-o o único prefeito cassado da história da cidade.
Uma liminar permitiu seu retorno temporário, mas o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul derrubou a decisão. Em 2015, nova ordem judicial o recolocou no cargo. Em 2016, tentou a reeleição, mas ficou fora do segundo turno por apenas 2.630 votos e, mesmo assim, apoiou o candidato Marquinhos Trad, que saiu vitorioso.
Controvérsias que marcaram a carreira de Bernal
O ex-prefeito acumula episódios polêmicos ao longo dos anos. Em 2012, o diretor do Google Brasil foi detido pela Polícia Federal após a empresa se recusar a retirar do YouTube vídeos com acusações contra ele. Bernal também respondeu a processos por empréstimo irregular a uma cooperativa de taxistas e por atraso no pagamento de pensão alimentícia. Ainda em 2025, o Tribunal do Tocantins determinou que ele quitasse mais de R$ 112 mil em pensão atrasada (36 meses entre 2013 e 2016) e dois 13º salários, cobrados pelo próprio filho.
A ONG Transparência Brasil chegou a apontá-lo como um dos parlamentares com maior número de projetos de baixa relevância. Agora, com Alcides Bernal preso, o episódio reacende o debate sobre o legado de figuras públicas e a segurança em disputas judiciais que envolvem bens de alto valor na capital sul-mato-grossense.
O caso segue em investigação e pode trazer novas informações nos próximos dias.
A população de Campo Grande acompanha com atenção os desdobramentos, especialmente diante do histórico político do envolvido.
Você presenciou o fato?
Envie foto ou vídeo para o WhatsApp do CG MS News: (67) 991768646. Deixe sua opinião nos comentários abaixo.












Comentários